Entrevista a Rodrigo Ferrão, Blogger do Clube de Leitores

Isto dos blogues tem muito que se lhe diga e um dos grandes testemunhos é o Rodrigo Ferrão – principal dinamizador do blog Clube de Leitores, vencedor do prémio blog do ano na Categoria Livros / Literatura / Poesia durante dois anos seguidos. Conheci-o pessoalmente há pouco tempo, durante a iniciativa Não Há Feiras Mas Há Escritores e em conversas que íamos tendo surgiu a ideia de darmos a conhecer as nossas experiências enquanto bloggers. Em tom de entrevista gémea, publico aqui as respostas do Rodrigo a uma mesma entrevista a que respondi para o seu blog. É sempre engraçado termos outras perspectivas acerca do mesmo tema em que trabalhamos.

Fiquem então com o Rodrigo Ferrão do Clube de Leitores:

Como é que te vês a ti mesmo e como é que achas que os teus leitores te vêem? Que influência é que esta actividade teve em ti?

Não é fácil falarmos de nós, mas será sempre mais difícil concordar totalmente com a análise que é feita sobre nós. Sigo sempre com a certeza que vivemos num processo de constante aprendizagem e surpresa (a vida). Como tal, agrada-me sentir que sou um ser incompleto, em constante evolução.

Apesar desta introdução mais ou menos filosófica, há aspectos que são mais ou menos pacíficos na minha auto-avaliação: sou absolutamente sonhador e idealista (mas de pés assentes na terra, não me aventuro só porque sim); sou cuidadosamente rigoroso e atento; sou virado para as emoções e para reflectir sobre as mesmas (nas minhas e nas dos outros); sou intenso e, por vezes, obsessivo. Não sou a pessoa mais positiva do mundo, mas sei dizer e exprimir o que é a felicidade (pelo menos a passageira). Sou tímido, mas ao mesmo tempo sigo com os da linha da frente. Acredito piamente que é dever de todos deixar a sua marca no mundo, e bato-me por isso. A minha mente é projectista, virada para o pensamento e a criatividade. Não aguento muito tempo a rotina, isso deprime-me!

Quanto aos leitores e como eles me vêem… tenho a certeza que me vêem como um apaixonado (pelo menos os que marcam o ponto todos os dias). Sabem que falar de livros, de literatura e poesia é a minha praia. É gratificante receber elogios e críticas das pessoas que estão comigo.

Ser blogger não começou com o Clube de Leitores… Já tive um blog pessoal (que abandonei) e participei nuns quantos outros. No entanto, o Clube corresponde,  sem dúvida, a uma fase diferente de maturidade. Às vezes olho para o início desta aventura com um sorriso nos lábios. Ainda corrijo publicações que não gosto e dou por mim muitas vezes a pensar: fui eu que escrevi isto? Levo desta minha actividade muitas experiências positivas. Considero hoje que ser blogger está-me no sangue e encaro todo o meu projecto como um dever. Não lhe chamaria trabalho (não recebo nada por fazer o que faço), mas sim uma paixão. É essa vontade que procuro encontrar no leitor, tendo a perfeita consciência que há dias e dias… E que não é fácil trabalhar neste ramo sendo pioneiro e original. Mas pelo menos esforço-me! Bastaria-me um leitor apenas, mas é óbvio que fico feliz por ter muitos.

De onde vem esta tua paixão pelos livros? Sempre gostaste de ler ou foi um hábito que surgiu mais tarde? Que livros te marcaram?

É curioso, porque a leitura teve altos e baixos na minha vida. Mas não os livros! Creio que antes de existir um “Rodrigo leitor”, nasceu um “Rodrigo” filho de um coleccionador de livros. A minha vida sempre foi rodeada de livros, praticamente em todas as divisões da casa.

Há um momento em que passo a assumir-me mais como leitor; um pouco tarde, diria… É já na faculdade que descubro o prazer de debater leituras e isso foi determinante para ler mais e mais. Daí até ser livreiro foi uma mera casualidade. Mas, de facto, acentuou com mais força o encantamento que tinha por livros.

Enquanto fui livreiro vivia na constante busca pelas histórias que um livro tem dentro de si. Grande parte das minhas escolhas foram influenciadas por clientes com quem metia conversa. Vivia constantemente com vontade de perceber porque é que as pessoas levavam aquela determinada história. Acredito que se consegue conhecer muito de uma pessoa pelos livros que escolhe ou leu.

Apesar desta história recente, quando era miúdo gostava de ler tudo o que era do Patinhas. Era sobretudo fã de banda desenhada e quadradinhos. Devorei praticamente tudo o que há do Tintim e do Asterix. Adorava Calvin and Hobbes e tudo o que apanhasse de Quino, principalmente a Mafalda.

Há um grande fosso entre a minha meninice e os livros que me marcam hoje – a maioria do que li foi apenas nos últimos 12 anos. Estou ligado a todos os géneros, mas gosto muito de contos e poesia. Para mim, a poesia universal é de língua portuguesa ou sul americana. Quanto aos  contos, os meus preferidos são de Nicolai Gógol e de Edgar Allan Poe. Adoro tudo o que leio de Machado de Assis, Valter Hugo Mãe, Gonçalo M. Tavares, Cormac McCarty, Halldór Laxness ou de Philip Roth – acho que são os autores mais constantes entre aqueles que li. Curiosamente, nenhum deles tem um livro entre as minhas histórias preferidas!

Estes são alguns dos títulos que mais me marcaram: «O marinheiro que perdeu as graças do mar», de Yukio Mishima; «Capitães da Areia», de Jorge Amado; «O retrato de Dorian Gray», de Oscar Wilde; «A morte de Ivan Ilitch», de Lev Tolstoi; «A metamorfose», de Kafka. Mas atenção: não existe ordem de preferência! São todos “livros preferidos”.

A imagem do blog normalmente transmite um pouco daquilo que o autor lê ou daquilo que ele é. Como é que o Clube dos Leitores reflecte as tuas preferências literárias? Qual é, na realidade, o teu género literário preferido?

O Clube de Leitores tem toda uma imagem idealizada por mim e pelos colaboradores mais antigos. Mas acho que não é disparate nenhum dizer que o blog é muito aquilo que sou, aquilo que leio e gosto. Não tenho dúvidas de que, quem escreve comigo (ou escreveu no passado), se aproxima daquilo que pretendo. Apesar disso, o nosso diálogo é constante e procuro que cada um deixe a sua marca. Para mim é gratificante perceber que todos nós conseguimos criar e desenvolver um projecto com uma imagem coerente e uniforme. Ao mesmo tempo, há ali o cunho pessoal de cada um.

O meu papel é vasto no Clube. Além de escrever, encontrar aspectos interessantes, divulgar… tenho que organizar os timmings com a restante equipa. De qualquer forma, a poesia é algo que procuro divulgar com bastante frequência. Sou particularmente sensível às frases que sublinho nas leituras que faço e partilho-as sempre. Sou activista pelos pequenos editores e livreiros – acho que todos os membros do Clube o são! Muitas vezes o blog associa-se a movimentos pela defesa dos livros e da leitura, marcando presença em encontros ou divulgando-os.

Quanto ao género literário preferido, ando sempre a saltitar. Leio vários livros ao mesmo tempo e não lhes defino um prazo… Pelo que, se uma história não está a avançar, corto com um livro de poesia ou atiro-me a um conto! Sou perfeitamente desorganizado na leitura, mas acho que nunca pus um livro de lado. Mas não sou fundamentalista, creio que isso há-de acontecer um dia!

Sentes que o teu blog contribui para a divulgação da literatura portuguesa? Os autores têm participação activa nesse campo? Achas o público receptivo a escritores portugueses? Qual o teu preferido?

O Clube de Leitores divulga muita literatura portuguesa. E já tivemos leituras conjuntas de vários autores portugueses. Para te dar alguns exemplos: Gonçalo M. Tavares, Dulce Maria Cardoso, Lídia Jorge, Patrícia Reis ou Afonso Cruz. Esta é uma das formas de divulgação, mas existem outras. Já tivemos algumas entrevistas, já convidámos alguns escritores a participarem uma semana connosco, publicámos e divulgámos trechos de livros ou poemas… Respondendo: acho que sim, o blog contribui bastante para a divulgação do que se fez e se faz por cá.

Existem alguns autores a procurar o Clube de Leitores. Mas vou ser sincero: a maioria chega-nos para divulgar apenas o seu trabalho mais recente. Não vou dizer que não é  legítimo ou até, em alguns casos, desejado por nós… Mas dentro da filosofia e espírito do blog, procuramos sempre um pouco mais do que isso. Normalmente desejamos uma contrapartida – que o autor permaneça connosco num período de tempo. Há alguns escritores impecáveis que já passaram pelo blog, mas não quero destacar nenhum em particular.

Os portugueses são consumidores de best sellers. Essa certeza tenho-a, pois vendi livros alguns anos. Portanto, não é de estranhar que autores como Miguel Sousa Tavares ou José Rodrigues dos Santos vendam muito por cá. De qualquer forma, fico contente por observar que ecritores como Valter Hugo Mãe, José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares ou Afonso Cruz estejam a afirmar-se como uma poderosa nova geração de novos talentos. Portugal precisava disto, apesar de ter tido sempre grandes autores e poetas.

Escritores portugueses preferidos? Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Eugénio de Andrade e Manuel António Pina. Tenho mais… mas ficaria aqui muito tempo a enumerar!

Já alguma vez pensaste em aventurares-te no mundo da escrita? Abraçarias algum género específico? Como achas que seria a transição de blogger para escritor?

Escrevo crónicas de viagem – neste momento conto no blog uma viagem que fiz à Ásia, em 2009. Sou sobretudo cronista e adoro pegar em histórias e transmiti-las. Mas, na verdade, não me sinto capaz de pensar um projecto de escrita. Não sei se isso um dia irá acontecer, mas é algo que não forço minimamente. Tenho algumas cartas pessoais trocadas com amigos que são a minha aventura no mundo da escrita. Mas não passa disso.

Apesar de tudo, claro que já me imaginei escritor! Tinha que ser poeta ou escritor de contos. O romance seria um projecto que demoraria muitos anos a concretizar e que provavelmente não conseguiria fazer avançar mais do que umas 10 páginas!

De qualquer forma, a transição de blogger para escritor seria catastrófica! Creio que um bom escritor precisa de um certo método (nem que seja a sua própria loucura) e estou em crer que, com a minha idade e experiência, esse bichinho nunca se impôs muito seriamente.

O que fazes quando não estás a pensar no próximo post do blog? Imagino que seria bom poder viver só da actividade literária, mas não é esse o teu caso, pois não?

Quando era livreiro, não era estranho associar o meu blog à profissão… Actualmente, ninguém adivinharia! Na verdade, trabalho numa agência têxtil. A minha função é ser parte integrante de uma equipa que gere um cliente e transmitir a sua vontade ao fabricante. Mas, para não me alongar muito… a minha vida são emails, telefonemas e excel! Muitas traduções de inglês para português e vice-versa. Numa área extremamente técnica e exigente.

De resto, apesar de dedicar muito tempo ao blog e à sua divulgação, gosto de ver séries e um bom filme. Sair com os amigos está sempre em aberto, mas gosto da minha solidão – por vezes.

Viveria (e ainda penso) um dia viver apenas da actividade literária. Até hoje, não surgiu o convite para fazer algo de especial no mundo dos livros. Gratuitamente não trabalho… e confesso que já me apareceram umas propostas patéticas nesta área. Ignoro e sigo fazendo aquilo que acredito. Mas não escondo a ninguém que, se esta actividade fosse paga, adoraria comandar um projecto. Acho que o futuro dos livros passa muito pelos blogs e não vejo em Portugal (ainda) uma vontade expressa de apostar neles. Um dia estarei por aqui, para quem quiser – não vivo obcecado, mas estou sempre disponível. Acredito no meu valor.

O teu blog é visto por muita gente… Imaginavas-te a ser seguido por um público tão vasto? De que forma é que o sucesso obtido nas redes sociais tem vindo a influenciar as tuas leituras e o teu comportamento no blog?

Vamos a dados: as redes sociais fizeram do meu blog um sucesso. Mas é verdade que soube aproveitar bem! É um orgulho ter criado uma das maiores comunidades (grupos) do mundo de expressão portuguesa sobre livros, literatura e poesia do Facebook. E isto em 3 anos e meio! É tão engraçado ter acompanhado este crescimento, porque nunca imaginei que atingisse estas proporções. O grupo Livros no Facebook tem, a esta hora, mais de 11.700 pessoas!

Não tinha muita noção de que era visto por tanta gente, numericamente falando. Sabia que tinha alguns entusiastas que seguiam com imensa atenção tudo o que eu e os colaboradores escrevíamos… Mas longe de imaginar que o blog podia ser assim tão visto como é hoje. É, de facto, gratificante.

Tenho muito orgulho no meu projecto. As pessoas não fazem ideia do trabalho que isto dá. Não me limito a produzir e a despejar posts… Faço também sala às pessoas que comentam as nossas postagens, divulgo, estabeleço contactos e parcerias. É mágico saber que o Clube de Leitores já saiu num jornal, já ganhou dois concursos na categoria de blogs literários… ou que individualmente já fui à rádio, já apresentei livros ou apareci na televisão a dizer poesia!

As redes sociais influenciaram o meu comportamento em muitos aspectos. Talvez o mais notório seja o facto de sentir que seria para mim impossível (hoje) deixar o blog do dia para a noite. Sei que já não escrevo só para mim e que seria uma desilusão simplesmente desaparecer. De resto, estou sempre a pensar nos leitores… Mas confesso: continuo a ter os mesmos gostos e a ler o que me apetece! Não vivo preocupado se um dia o blog tiver menos pessoas a acompanhá-lo. Sabe tão bem permanecer com poucos e bons!

Os blogs não são feitos apenas de divulgações e/ou opiniões, mas também de comentários a certos eventos, curiosidades sobre outros. Tens algum/ns preferido/s que queiras partilhar?

Tenho algumas histórias de encontros com leitores e são muito especiais. É fantástico ser, de repente, reconhecido. Principalmente neste meio – onde já há muita coisa e, convenhamos, não é fácil singrar. Portugal não é assim tão entusiasta pela leitura, apesar de ter feito alguns progressos nos últimos anos.

Talvez a história que mais me marca (até porque, infelizmente, a pessoa que me fez esta surpresa, morreu este ano) é a do escritor e poeta Nuno Guimarães. Entusiasta do blog, vivia e era professor na Lituânia. Um certo dia, trabalhava eu numa livraria de um shopping de Vila Nova de Gaia, entra-me pela loja e afirma: – “Boa tarde. Queria falar com o Sr. Rodrigo Ferrão, por favor…”. Eu não associei, até porque atendia clientes. Ele apresentou-se, ofereceu-me o seu livro (vieniš(um)as – solidão), o primeiro livro bilingue português / lituano. E passou algum tempo comigo.

Foi muito especial. Hoje sinto-o ainda mais, uma vez que aquele foi um momento único que não voltará, infelizmente, a acontecer.

O que podemos esperar no futuro do Clube de Leitores? Sentes que existe a necessidade de te reinventares constantemente para acompanhar o que as pessoas procuram? Ou continuas ao teu próprio ritmo, vendo no que pode dar?

Não cedo um milímetro ao fio condutor que pauta a orgânica do blog. Sou um bocado crítico àqueles que pretendem apanhar boleia do blog sem dar uma contrapartida válida e sentida… Nunca tive uma parceria oficial com uma editora. Isso não me choca (até porque já surgiram convites), mas não sou de facilitar… Acredito que qualquer entidade ou pessoa deve fazer por merecer a participação num grupo de interesse. Podem chamar-me o que quiserem, mas o blog já é auto suficiente e vive perfeitamente bem sozinho – movido pela paixão e pelo amor de algumas pessoas. Isso só por si é mágico.

Existe, de facto, uma necessidade de me reinventar. Mas não me vendo a qualquer preço a um best seller que esteja aí. Não sou talhado para ler coisas em que não acredito e o Clube de Leitores é, de alguma forma, um espaço elitista. E é assim porque quer. No dia em que perca a sua identidade, morre.

Por mim falo: vou continuar a falar de livros e do que leio. Vou obviamente continuar a ir de encontro ao que os seguidores procuram. Felizmente temos um feedback do que os leitores querem ou não querem / identificam ou rejeitam no blog. Isso não é dado apenas por estatísticas (não me pauto apenas por estatísticas, mas obviamente analiso-as e quero que o blog cresça ainda mais), mas também pelas suas opiniões.

Quero ser falado, quero ser reconhecido… sim, claro! O Clube de Leitores quer ser uma referência em Portugal. Nem que seja pela forma descontraída com que aborda este mundo complexo dos livros. Não me vejo a ceder a outro tipo de géneros, embora os respeite.

Há sempre projectos, novas rubricas, rumos estratégicos. Mas mantenho o meu ritmo e confio que vão continuar a acreditar em mim e em quem nos acompanha nesta aventura.

Em poucas palavras… o que dirias para apresentar o teu blog a quem não o conhece?

O Clube de Leitores é um espaço onde se discutem livros, autores, poemas e leituras. Actualmente é constituído pelo Rodrigo Ferrão (o seu criador), a Ana Almeida, o Pedro Ferreira e a Raquel Serejo Martins. Conta ainda com participações ocasionais, tanto em Portugal como no Brasil. É um blog conduzido com muito amor, dedicação e entrega. São os livros e o contributo dos leitores que nos fazem mover.

Para terminar a entrevista deixo-vos os links em que podem encontrar o Clube de Leitores:

Página oficial: http://www.blogclubedeleitores.com/

Página no Facebook: https://www.facebook.com/clubeleitores?fref=ts

Grupo no Facebook: https://www.facebook.com/groups/118522201491451/

As minhas respostas à mesma entrevista podem ser lidas aqui:  http://www.blogclubedeleitores.com/2013/09/a-entrevista-sofia-teixeira-do-blog.html

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    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

    O nome tem origens no fantástico e na mitologia celta. Bran, o abençoado, e Morrighan, a deusa da guerra, têm sido os símbolos desta aventura com mais de uma década, ambos representados por um corvo.

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