Nobody’s Bizness lançam “Donkey” (Edição de Autor) a 27 de Janeiro + Texto de Francisco Silva

10 anos de carreira e novo disco

de uma das mais emblemáticas bandas de blues portuguesas

Os Nobody’s Bizness completam agora 10 anos na estrada. Para celebrar este marco lançam o seu segundo álbum de estúdio. O nome escolhido para o álbum, Donkey, nasce também da vontade da banda de ajudar a Burricadas – Associação para a Preservação do Burro, uma associação que recolhe e protege burros maltratados.

Para suportar os custos de produção deste disco – uma edição de autor, como o seu primeiro trabalho de estúdio-, os Nobody’s Bizness promoveram promover uma campanha de angariação de fundos através da plataforma portuguesa de crowdfunding PPL (http://ppl.com.pt/pt/prj/nobodys-bizness). Os fãs e amigos da banda que participaram e contribuíram para esta campanha, por um lado, ajudaram a Associação Burricadas (www.burricadas.org) e por outro, apoiaram a edição do disco. Podem ver o vídeo de agradecimento da banda aqui: http://youtu.be/Qry_upBbBxM

Em troca do contributo, os apoiantes da banda tornam-se assim seus produtores e receberam inúmeras recompensas aliciantes em que a mais valiosa das recompensas, uma das guitarras da banda, já foi reclamada e o apoiante que a vai receber terá ainda direito a um concerto em sua casa.

Donkey é um disco composto quase exclusivamente por originais e irá ser editado no dia 27 de Janeiro.

Sobre os Nobody’s Bizness

Se os blues nasceram nas margens do rio Mississippi, nos Estados Unidos, ou mais remotamente nas margens do rio Niger, na África Ocidental, é natural que mais tarde ou mais cedo acabassem – levados pelos ventos, pelas marés e pela vontade das sereias – por desaguar à boca do Tejo, na cidade de Lisboa. Foi da vontade de recriar esses blues, os de raiz, que os lisboetas Nobody’s Bizness surgem em 2003, para resgatar ao pó dos tempos e às estrias de velhos 78 rpm, lendas dos blues como Robert Johnson, Tampa Red, Ida Cox, Alberta Hunter, Bessie Smith, Willie Dixon, Skip James ou Muddy Waters com os seus arranjos pessoais.

Após uma grande temporada de actuações que os foram levando de boca a orelha um pouco a todo o país, editam em 2006, através da Netlabel You Are Not Stealing Records, um EP gratuito (Ao Vivo na Capela da Misericórdia, Sines) que viajou muito para além das fronteiras portuguesas, tendo ultrapassado já a marca dos 20,000 downloads oficiais.

Em 2010, é editado o primeiro álbum de estúdio (It’s Everybody’s Bizness Now), em que para além das versões a banda apresenta, pela primeira vez, temas da sua autoria marcando assim o início de uma nova sonoridade e de uma nova vontade. Continua a estar presente a essência da música que os inspirou, mas acrescida da sua própria criatividade e da visão de uns blues novos, cruzados com a folk norte-americana, o jazz ou a música country.

Os Nobody’s Bizness são:

Petra Pais – Voz, Jack Daniels e outros comportamentos curiosos. | Luís Ferreira – Espantosas guitarras e “dobros”, e outros artefactos bizarros. | Pedro Ferreira – Guitarras, banjo, e coros angelicais. O mais bonito de nós todos. | Luís Oliveira – Baixo, coros e muita paciência para aturar o resto da banda.

https://www.facebook.com/NobodysBiznessMusic | https://twitter.com/NoBizMusic

https://soundcloud.com/nobodys-bizness | http://www.reverbnation.com/nobodysbizness

http://nobodysbizness.bandcamp.com/

NOBODY’S BIZNESS 

“DONKEY”

Quando as coisas eram mais simples, fazer o que quer que fosse era complicado. Quando as coisas eram mais simples davam trabalho, e dedicavam-se anos a explorá-las, a estudá-las, a apreendê-las e a incorporá-las na nossa vida e naquilo que fazíamos. Quando as coisas eram mais simples respeitar a tradição nem era algo que se questionasse, porque a tradição era o caminho trabalhoso para o que quer que de original pudessemos vir a ser.

Nesta linha de pensamento, “Donkey” é um disco à moda antiga, e os Nobody’s Bizness uma banda teimosa e anacronicamente tradicional. No ambiente actual de brilhos fátuos, são uma lufada de ar fresco precisamente por soarem tão pouco “de hoje”, por dedicarem anos da sua existência a andar por aí, a tocar, a aprender e a honrar uma liguagem musical – os “blues”, amor de longa data – e a trabalhar nela e expandi-la para introduzir gradualmente e sem pressa não só outras linguagens mas também a vontade de expressão própria que se materializa nestas canções originais. 

E assim contra todas as expectativas continuam o verdadeiro afã de serem úteis e servirem o seu propósito, de serem fiáveis como foram os seus gigantes antecessores, a quem pelo simples facto de existirem e persistirem prestam um tributo honorífico. 

Por esse mesmo simples acto teimoso (lá está) mas paciente de existirem dessa forma simples e sem artifícios no meio dos nossos complexos tempos, os Nobody’s Bizness afirmam com as armas da modernidade (Crowdfunding? Check. Página de facebook activa? Check.) a sua individualidade à moda antiga. Uma individualidade que não é feita de grandes e vistosas aparições, mas que é perceptivelmente construída em anos de ensaios e concertos; uma individualidade que exige a audição das canções e que foi nitidamente construída e burilada ao longo do tempo para se aproximar cada vez mais de um traço de carácter – esse intangível que não os distinguirá da maralha ruidosa a gritar por atenção no meio da espuma dos dias que correm, mas que tocará uma fímbria fundamental de sentido a cada reencontro futuro com um ouvinte atento, construindo lentamente um lugar de familiaridade no nosso quotidiano e na nossa colecção de discos. 

No fundo, este disco dos Nobody’s Bizness é efectivamente um “donkey”: um símbolo de tradição e teimosia no meio da impaciente voracidade das “coisas mais imprescindíveis de sempre” dos últimos 5 minutos.

Francisco Silva (Old Jerusalem)

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    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

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