Opinião: Princesa Mecânica/Clockwork Princess (Caçadores de Sombras – As Origens #3) de Cassandra Clare

Princesa Mecânica (Caçadores de Sombras – As Origens #3)

Cassandra Clare

Editora: Grupo Planeta

Sinopse: Tessa Gray devia estar contente, como todas as noivas! Mas, enquanto se prepara para o casamento, uma rede de sombras envolve os Caçadores de Sombras do Instituto de Londres. Surge um novo demónio, ligado pelo sangue e secretismo a Mortmain, o homem que tenciona usar um exército de impiedosos autómatos, os Instrumentos Infernais, para destruir os Caçadores de Sombras. Falta apenas um último pormenor para que o plano de Mortmain funcione: Tessa. Charlotte Branwell, directora do Instituto, não consegue encontrar Mortmain antes que ele ataque, ao mesmo tempo que Jem e Will, os dois rapazes que disputam o coração de Tessa, farão tudo para a salvar. As últimas palavras de um Caçador de Sombras moribundo fornecem a pista que pode levar Tessa e os amigos a Mortmain, mas o pequeno grupo não se aguenta sozinho e o poderoso cônsul não acredita no advento do demónio. Sem aliados, os Caçadores de Sombras vêem-se encurralados quando Mortmain consegue o medicamento que mantém Jem vivo. Com o seu melhor amigo às portas da morte, Will tem de arriscar tudo para salvar a jovem amada por ambos. Para dar tempo a Will, o feiticeiro Magnus Bane junta-se a Henry Branwell para criar um instrumento que pode derrotar Mortmain e enquanto todos tentam salvar Tessa e o futuro dos Caçadores de Sombras, a jovem percebe que a única pessoa que a pode salvar é ela própria, porque percebe que pode ter em si um poder que nunca imaginou. Mas poderá uma rapariga, mesmo capaz de conjurar o poder dos anjos, enfrentar um exército?

Opinião: Acabar uma saga é sempre um momento algo triste e nostálgico, principalmente quando ao longo da leitura fomos vibrando cada vez mais com a história e com os personagens, ansiando por um fim que satisfaça umas expectativas ainda por definir. Ao longo da série Caçadores de Sombras – As Origens, a escritora Cassandra Clare mostrou-se dona e senhora de uma mestria única em deixar o coração do leitor dividido, em tomar por incerto o rumo daqueles por quem se afeiçoa e ainda o deixar a querer mais quando tudo acaba.

Chegando à Princesa Mecânica, e estando perante o derradeiro término da saga, a expectativa é tão elevada que é preciso pouco para rapidamente nos viciarmos na leitura. The Infernal Devices, o nome original da série, é capaz de ser uma das trilogias mais fascinantes que já li. Não só por estar muito bem escrita, mas porque a autora desenvolveu um enredo complexo, bem elaborado, empático, apaixonante e num mundo completamente diferente do habitual. 

Num steampunk londrino, assistimos a uma das mais belas histórias de amor alguma vez escritas dentro do contexto de um triângulo amoroso. É esta conjugação, a harmonia entre uma trama cheia de elementos fantásticos e o romance, que torna toda a trilogia uma obra de arte. Não estamos perante uma rapariga que é disputada entre dois rapazes que se odeiam, aliás, nem sequer existe tal coisa como uma disputa, mas sim um destino que parece ser trágico de qualquer maneira, seja qual for a opção de Tessa. São momentos de gestão emocional muito delicados para o leitor, pois não acredito que haja quem goste mais ou menos de Jem e Will. São ambos estrondosos e de partir o coração.

Acho que, acima de tudo, existe uma grande capacidade de sofrimento e de sacrifício comum a todo o núcleo de protagonistas. Numa atmosfera de perigo constante em que o futuro dos Caçadores de Sombras está em causa, o indivíduo é várias vezes relegado para segundo plano, mas nunca está ausente a vontade de se fazer o que for preciso, pelos meios que forem necessários, para se salvar alguém querido. 

O epílogo é dos mais brutais de toda a literatura a que já tive acesso. Se durante centenas de páginas, três livros, nos perguntamos como é que a autora se irá safar em tantos dilemas, é nestas últimas páginas que encontramos a resposta. Uma resposta triste e ardente, melancólica e ao mesmo tempo apaixonante, um trilho de emoções acumuladas que extravasam através de um último suspiro comovido. Adorei.

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Jojo
Jojo
7 anos atrás

Eu estou a começar esta trilogia e já estou apaixonada pelo Will, pela Tessa e pelo Jem. Não faço ideia como a autora se vai safar desta!

Beijinhos Sofia*

Morrighan
Morrighan
7 anos atrás

Acho que vais gostar, Jojo 🙂

Beijinho grande*

  • Sobre

    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

    O nome tem origens no fantástico e na mitologia celta. Bran, o abençoado, e Morrighan, a deusa da guerra, têm sido os símbolos desta aventura com mais de uma década, ambos representados por um corvo.

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