Opinião: Deixa Dormir o Diabo de John Verdon

Deixa Dormir o Diabo

John Verdon

Editora: Porto Editora

Sinopse: David Gurney, um ex-detetive da Polícia de Nova Iorque, aceita encontrar-se com uma jovem que está a realizar um documentário sobre o Bom Pastor. Uma década atrás, uma série de assassinatos fizeram deste serial killer notícia de primeira página. Mas os crimes pararam, sem que ninguém tenha percebido porquê.

Para o FBI este era um caso arquivado, até que Gurney descobre elementos que a investigação inicial tinha desprezado e arrisca a própria vida para encontrar o Bom Pastor, transformando-se no próximo alvo do assassino. Dave Gurney sabe que está perante um homem perigoso e inteligente …  um diabo que despertou.

Opinião: John Verdon tem sido um nome sonante no que toca a policiais/thrillers em Portugal. Desde que o seu primeiro livro saiu por cá, Pensa Num Número, que muitos elogios têm sido tecidos à sua capacidade de prender o leitor à narrativa e, apesar de a minha estreia se dar apenas agora com Deixa Dormir o Diabo, é com grande fascínio que venho confirmar isso mesmo. Apesar do protagonista ser o mesmo que nas duas obras anteriores já publicadas no nosso país, a leitura deu-se de forma fluída tendo o efeito de me fazer querer ir à livraria mais próxima comprar o que me falta do autor.

Dando a perspectiva de alguém que ainda não leu os anteriores, posso dizer que as primeiras páginas foram fundamentais para me manter agarrada à leitura. A verdade é que tinha outra leitura em mãos, na altura em que iniciei este, mas Deixa Dormir o Diabo tornou-se tão intrigante logo de início que foi inevitável suspender a outra leitura e agarrar-me a esta, ávida por desvendar não só quem estaria por trás de todos os acontecimentos suspeitos, mas também a sua motivação.

Este é um aspecto muito bem explorado por John Verdon, o psicológico não só de Dave como também de várias outras personagens. A complexidade intrincada da mente de cada um pode muitas vezes gerar decisões e atitudes questionáveis, por vezes insanas ou somente devido a uma carência gerada por um acontecimento passado transtornador. Sob este ponto de vista, não só o Bom Pastor é escrutinado e especulado, como também o nosso protagonista é confrontado com as verdadeiras razões pelas quais se envolveu neste caso não resolvido. Os resultados são tão surpreendentes como preocupantes.

Também as relações disfuncionais entre pai/filho de diversas famílias, e as suas consequências, são aqui expostas. Dave Gurney tem um passado (do qual espero vir ainda a descobrir mais quando ler os livros anteriores) tumultuoso no que toca à ex-mulher e ao filho. Perante todos os acontecimentos misteriosos, inesperados e que lhe colocam a vida em risco, nem tudo tem repercussões negativas e uma espécie de redenção entre os dois acaba por se dar, com Kyle, o seu filho, a mostrar-se atento a todo o percurso do pai e expressando toda a admiração que tem sentido por ele, não obstante a distância emocional que os tem separado.

O enredo começa de forma misteriosa e à medida que avança o sangue do leitor também acelera. Dão-se fenómenos estranhos, por vezes arrepiantes, e a perseguição, que tenta ser impedida a todo o custo pelo FBI, acaba por se tornar numa autêntica caça ao homem em que o desfecho nunca poderá tomar lugar de forma pacífica. As personagens, no geral, são interessantes, mas as minhas preferidas são, sem dúvida, Dave, Madeleine (a sua mulher, sempre de sorriso no rosto, mesmo perante as maiores adversidades) e Jack (um ex-colega de Dave, com atitudes insólitas, mas que eram uma lufada de ar fresco na narrativa). Uma história de suspense que me prendeu do início ao fim e cuja escrita me conquistou. Recomendo. 

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    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

    O nome tem origens no fantástico e na mitologia celta. Bran, o abençoado, e Morrighan, a deusa da guerra, têm sido os símbolos desta aventura com mais de uma década, ambos representados por um corvo.

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