Parece que foi ontem, mas foi já em Setembro de 2013 que experimentei pela primeira vez o teatro interactivo. Através da peça Palco do Crime vesti a pele de uma interveniente, de uma detective, na peça. Houve toda a adrenalina em questionar os suspeitos, adivinhar o culpado e por fim o rejubilar ou a desilusão na aposta feita. Em “o Trailer” experimentei outro tipo de interacção – o de ter realmente algo a dizer no rumo que a peça acabou por tomar, literalmente!
Pisada a entrada do Teatro Comuna, entregaram-nos logo um papelinho em que tínhamos de escrever uma frase. Frase essa que seria usada durante a encenação, independentemente do que estivesse lá escrito ou da história a decorrer. Escritos e entregue os papéis, avançámos para uma das mesas redondas e sentámo-nos em plena expectativa do que se iria passar.
Entram então em palco os Improvio Amandi – João Cruz, Telmo Mendes, Hugo Rosa, Rui Moreira e Juan Pereira. Depois de um efusivo “Boa noite!”, o que pedem ao público é simples. Escolher um local, um objecto e no fim tirar à sorte um género cinematográfico. Isto duas vezes. Juntas todas as peças – “Amadora + Tesoura + Ficção Científica” e “Maternidade Alfredo da Costa + Óculos + Policial” – eles entram em acção e constroem dois trailers, findos os quais cabe ao público escolher qual das histórias improvisadas por eles deve passar a uma longa metragem. Acabou por ganhar o segundo trailer.
Escusado será dizer que a animação e as gargalhadas foram o prato principal da noite. Desde um polícia, filho de outro polícia que era grande no seu tempo, completamente humilhado pelos seus pares e apelidado de “Borra-Pichas” a uma pega ucraniana, o limite para a imaginação não existe. Instantes antes do fim da peça, momento praticamente congelado para a distribuição dos ditos papelinhos com as frases, chega o momento em que o público congela, ansioso por ouvir a sua frase da boca dos actores e em ver como é que esta se encaixa na história. E o mais fantástico de tudo, é que mesmo as mais imprevistas acabaram por fazer o deleite e provocar o riso dos espectadores.
Improvio Armandi mostrou ser um grupo de actores com uma enorme empatia e capacidade de adaptação tremendas. Mesmo nos momentos em que conterem-se fica impossível, nunca perdem a postura nem o fio à meada, mantendo sempre o público interessado e extasiado. Sem dúvida que recomendo esta experiência a todas as pessoas, sem qualquer excepção. Uma noite divertida, bem disposta e que dá vontade de repetir com outro público só para ter direito a mais uma história hilariante.
Mais informações sobre a peça aqui: https://www.facebook.com/events/243755199150273/?fref=ts
Fotos Sofia Teixeira