Opinião: Até Que Sejas Minha, de Samantha Hayes

Até Que Sejas Minha

Samantha Hayes

Editora: TOPSELLER

Sinopse: Ela tem algo que outra pessoa quer. A qualquer custo? 

Claudia parece ter a vida perfeita. Está grávida, vai ter um bebé muito desejado, tem um marido que a ama, embora ausente, e uma casa maravilhosa. 

Depois, Zoe entra na vida dela. Zoe foi contratada para a ajudar quando o bebé nascer, e parece a pessoa certa para o cargo. Mas há qualquer coisa nela de que Claudia não gosta e que a faz desconfiar. 

Quando encontra Zoe no seu próprio quarto, a remexer nos seus bens pessoais, a ansiedade de Claudia torna-se um medo bem real?

Opinião: No meio da azáfama que é o meu dia-a-dia, começar um livro e terminá-lo rapidamente é, quase sempre, uma missão impossível. Qual não foi o meu espanto quando dei por mim a terminar Até Que Sejas Minha nuns meros três dias – acreditem, tenho demorado no mínimo uma semana a ler uma obra completa. Acho que o factor determinante para que tivesse vontade de roubar horas de sono ao meu dia ou até ocupar cada intervalo a ler, foi o início intenso, com um crescendo de adrenalina que me deixou em estado de alerta. Foi, sem dúvida, um início que me surpreendeu muito pela positiva. 

A narrativa é na primeira pessoa, mesmo nos diferentes capítulos com diferentes protagonistas. Vamos oscilando entre as perspectiva de Zoe e de Cláudia, e as emoções são tão vincadas, a aura de perigo e desconfiança é tão evidente, que o virar de página se torna incessante. Os alertas da desconfiança pairam sobre Zoe desde o derradeiro primeiro momento em que tomamos contacto com ela. Tudo o que ela pensa, tudo sobre o qual vai divagando, deixa o leitor de pé atrás. Parece fácil ganharmos aquela repulsa pelas suas motivações ao mesmo tempo que ganhamos um sentimento de protecção em relação a Cláudia. 

Também temos o olhar de Lorraine, a polícia que investiga as mortes de mães cujos bebés lhes foram arrancados do ventre a sangue frio. Conhecemos a sua vida, a partilha da mesma profissão com o marido e assistimos ao cruzamento de coincidências infeliz em relação aos casos que investiga e a sua condição matrimonial. Só muito mais à frente é que nos damos conta de quão o mundo pode ser pequenino e de como as pessoas com quem nos cruzamos podem ter tão mais impacto nas nossas vidas do que aquilo que damos conta. 

Se o início teve um grande impacto em mim, o segundo terço do livro arrefeceu um pouco o entusiasmo. A autora optou por uma exploração maior das personagens, enriquecendo-as é certo, mas abdicando de uma maior diversidade de acontecimentos, fazendo com que o ritmo esmorecesse. Tal é compensado nos últimos capítulos em que, confesso, tive de voltar atrás para ter a certeza de que era mesmo aquilo que estava a ler e que não tinha havido um engano qualquer nos nomes das personagens. Não que fosse uma grande surpresa, mas porque talvez esperasse algo diferente.

Gostei da escrita da autora, tem uma imagética bastante forte e, querendo, consegue deixar o leitor num alvoroço. Tem muito potencial, sabe como misturar o thriller psicológico aos dramas da vida, em que o toque de mestre consistiu nos pormenores. Cláudia, por exemplo, ser uma assistente social, com a sua atitude apaixonada e benevolente acaba por conduzir o leitor para uma linha de pensamento muito mais positiva. Zoe, sendo algo que nunca percebemos muito bem até ao final, em que parece já ter tido experiência como ama, mas a que certa altura sabemos que não o foi, conduz-nos para outra linha de pensamento completamente diferente. Um bom jogo de personalidades e intenções que tornou a leitura muito cativante. Gostei. 

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  • Sobre

    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

    O nome tem origens no fantástico e na mitologia celta. Bran, o abençoado, e Morrighan, a deusa da guerra, têm sido os símbolos desta aventura com mais de uma década, ambos representados por um corvo.

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