Opinião: O Amor é Fodido, de Miguel Esteves Cardoso

O Amor é Fodido

Miguel Esteves Cardoso

Editora: Porto Editora

Sinopse: «As lágrimas das raparigas refrescam-me. Levantam-me o moral. Às vezes lambo-a dos cantos dos olhos. São pequenos coquetéis sem álcool, inteiramente naturais. Dizer: “Não chores” funciona sempre, porque só mencionar o verbo “chorar” emociona-as e liberta-as, dando-lhes carta branca para chorar ainda mais. Só intervenho com piadas e palavras de esperança e de amor quando elas vão longe de mais e começam, por exemplo, a pingar do nariz.»

Opinião: Ora aí está um livro que é fodido de se ler. Perdoem-me a linguagem, ou não, não faz diferença. Tal como não faz diferença se se gosta ou não desta obra. O Amor é Fodido é daqueles livros que dificilmente criam consenso, tal como dificilmente apaziguam quem lê. Até mesmo a escrita é inconstante. Assumido pelo próprio autor que este livro só foi publicado, assim em cru, porque queria publicar algo antes dos 40 anos, mesmo quando se mudou para a Porto Editora decidiu manter como estava, sem alterar nada. E acho bem, afinal também é impossível voltar atrás no tempo e reescrever a nossa vida, não é? Mas isto são tudo perspectivas, claro. 

Já tinha este livro na minha estante desde a Feira do Livro e nem o comecei a ler por achar que o amor é fodido, disso eu tenho a certeza. É lindo e maravilhoso e juntamente com a paixão causa todas aquelas sensações arrebatadoras, mas verdade seja dita que quando corre mal, tudo se torna imprevisível. E este livro é todo ele sobre uma data de obsessões em perseguição de um amor que se sabe ser disfuncional, doentio, baseado em premissas loucas que culmina em desastres e vivências que se tornam em parte presente, em parte passado, numa fusão entre o agora e as recordações.

Gostei mais de umas partes do que de outras. Acho que é um livro muito realista para uma realidade precoce da vida de qualquer pessoa. Ou assim poderia ser caso se partisse do princípio que à medida que a idade avança aprendemos com a experiência. Não gostei muito da maior parte da narrativa do último terço da história. Não me disse absolutamente nada. Ainda assim a primeira metade compensa bem pelo restante. Se me perguntarem se aconselho o livro, nunca vou dizer que não, mas direi sim com restrições, dependendo se conheço bem ou não a pessoa que me fizer essa pergunta. Acho que a interpretação vai ser sempre muito pessoal e haverá sempre quem não goste. Como disse ao início, não é consensual, mas que não se perde nada em ler, não. Talvez até se ganhe, pelo menos um ligeiro abrir olhos. 

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    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

    O nome tem origens no fantástico e na mitologia celta. Bran, o abençoado, e Morrighan, a deusa da guerra, têm sido os símbolos desta aventura com mais de uma década, ambos representados por um corvo.

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