Opinião: Ms. Marvel (Vol 1 – Fora do Normal), de G. Willow Wilson e Adrian Alphona

Ms. Marvel (Vol 1 – Fora do Normal)

G. Willow Wilson e Adrian Alphona

Editora: G Floy Portugal

Sinopse: “Ms. Marvel” é uma das mais prestigiadas e aclamadas séries lançada pela Casa das Ideias nos últimos anos. Nomeada para inúmeros Prémios Eisner, vencedora do Hugo para Melhor Romance Gráfico (2015) e do Prémio de Angoulême para Melhor Série (2016), Ms. Marvel rompeu com muitos dos cânones das aventuras da Marvel da era contemporânea, recuperando alguma da magia original de personagens adolescentes que estão a descobrir os seus poderes enquanto tentam sobreviver num universo confuso e cheio de confrontos! Kamala Khan é uma jovem adolescente muçulmana de Nova Jérsia, perfeitamente normal… até ao dia em que descobre que recebeu poderes extraordinários! Mas quem é realmente a nova Ms. Marvel? Uma simples adolescente muçulmana, indecisa entre dois mundos, o da América moderna e o do mundo tradicional do Islão? Uma inumana criada depois da explosão da Bomba Terrígena? Uma fã de Carol Danvers, a Capitã Marvel? Estará Kamala preparada para usar os seus tremendos poderes, e conseguirá ela perceber que com grande poder vem grande responsabilidade? Descubram tudo isso quando ela tomar o universo Marvel de assalto… ou pelo menos Nova Iorque e arredores! O processo de criação de Kamala Khan, a nova Ms. Marvel e a primeira heroína muçulmana da Marvel, não foi isento de controvérsia e mesmo hostilidade. A autora trabalhou com a editora Sana Amanat para definir as suas características e história de família, mas muitos fãs e os meios mais conservadores da sociedade americana opuseram-se à aparição desta heroína adolescente de Nova Jérsia. Mas a nova personagem era tão fácil de se gostar, simultaneamente ingénua, querida, teimosa, e perdida entre as suas obrigações familiares e o Islão e a moderna vida Ocidental, que foi muito bem acolhida pelos fãs e pela crítica, tendo sido comparada sobretudo com Peter Parker nos anos da Idade de Prata da Marvel, e mesmo considerada um símbolo de reconciliação entre tradições religiosas diferentes. 

OPINIÃO: Aqui está uma banda desenhada que promete conquistar. Não só temos uma heroína feminina, como temos uma protagonista com quem é fácil sentir uma empatia enorme. Kamala é filha de imigrantes, em Jersey, e carrega todo o legado de fazer parte de uma família religiosa muçulmana. Não obstante, é seu dever integrar-se na cultura ocidental, fazer amigos e ser a filha perfeita. O problema é que estes três factores parecem ser incompatíveis.

Como é que pode fazer amigos ou integrar-se se não pode sair com os colegas ou sequer estar presente em festas com bebidas alcoólicas? Kamala não se resigna com essa condição e decide fugir uma noite para se juntar a uma das festas. Rapidamente percebe que os seus supostos amigos descriminam a sua origem e as suas crenças, o que resulta na sua fuga da festa. Enquanto deambula a caminho de casa, é apanhada por uma névoa que a leva a delirar, enquanto deseja ser como a Capitã Marvel ou ter poderes especiais. Do que não estava à espera era de realmente ter obtido capacidades metamórficas assim que fica consciente.

A partir deste momento, a vida de Ms. Marvel torna-se no caos completo. Se por um lado assistimos a alguns estereótipos em relação à sua família, por outro lado é de enaltecer a Marvel por juntar dois em um: ter mais uma mulher no papel de super-heróis e explorar outras culturas. A junção de ambos resulta numa Kamala que tem um universo por explorar, mas muito mais a descobrir sobre si mesma e o seu papel na sociedade em que vive. Ao acompanharmos Ms. Marvel, somos obrigados e reconhecer que por vezes existem dimensões culturais que ignoramos e com as quais, por causa disso, podemos ser mais ou menos tolerantes. A cereja no topo do bolo é a tonalidade bem disposta com que estas aventuras são transmitidas. 

O grafismo está muito bem explorado e elaborado. Gostei muito dos enquadramentos, que tornam cada cenário mais palpável e real, o traço do desenho é realista quanto baste e a palete de cores usada também ajuda a que o desenrolar da acção seja vibrante. Também a G Floy Portugal está de parabéns por esta edição de luxo, de capa dura e qualidade de papel impecável. Sem dúvida que é uma banda desenhada que quero continuar a acompanhar. Sou aficionada pelo universo Marvel e, mesmo não tendo ficado completamente deslumbrada, acho que Ms. Marvel tem argumentos e aspectos positivos suficientes para prender a atenção de todo o tipo de leitores, dos mais miúdos aos mais graúdos. 

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    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

    O nome tem origens no fantástico e na mitologia celta. Bran, o abençoado, e Morrighan, a deusa da guerra, têm sido os símbolos desta aventura com mais de uma década, ambos representados por um corvo.

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