Entrevista a Carlos J. Barros, escritor português

Boa tarde a todos! Hoje deixo-vos a entrevista do escritor Carlos Barros, autor de um livro que adorei ler “O Ladrão de Livros”.

Sobre mim: Tenho alguma dificuldade em “falar” sobre mim. Corro vários riscos ao fazê-lo. Sinto-me um intruso a entrar na vida do Carlos José Barros. Claro que sou eu, sou tímido na primeira abordagem com as pessoas, divertido na segunda. Nada do que escrevo é bom, nada do que digo tem valor. Sou muito crítico e bastante inseguro no que toca à escrita. Dizem os amigos que sou tonto, dizem os conhecidos que esperam pelo próximo, digo apenas para os que não conheço que há sempre em mim uma vontade de escrever enorme. Talvez defeito de profissão – jornalista – tudo o que se move, o que tem cheiros e sons, o que liberta cores mesmo que num preto e branco muito «nosso», serve para escrever. Como digo “falar” sobre mim é um acto brutal em que me digladio entre o sonho e a realidade. Vivo naquele limbo do nada onde existe tudo, até cerejas.

Estilo e Ritmo de Escrita: Não tenho um estilo definido ou apenas tenho a minha própria “métrica” das palavras e que se vão enquadrando como um puzzle. Nunca tenho o problema dos títulos nos Livros porque eles nascem do título. Do nada aparece algo que gosto tipo: “Ladrão de Livros” ou “Como matei o Ministro” e parto para a aventura. Chego a estar a escrever um texto que nem eu calcularia que seria o inicio de um Manuscrito e quando olho à minha volta já estou a “construir” mais um romance. Gosto de escrever com”navegação à vista” (riso) ou seja todos os dias quando pego no texto tenho ideias, mas não tenho um fim nem uma direcção, deixo sempre que as personagens me levem para onde elas entenderem. Sinto-me quase sempre refém delas, menos no final. Geralmente ocorre-me uma ideia a ¾ do livro e depois vou amadurecendo a ideia, deixo-me levar até que… acaba. O ritmo tem a ver com as ideias, tanto posso descrever de uma forma ofegante, repentina e cheia, como posso saborear toda uma prosa que nos vai abraçando.

Influências: A maior das minhas influências nasce em mim, na minha imaginação que não me larga nas 24 horas do dia. Descendo à terra, tenho um carinho especial pela escrita do “Gabo” (Gabriel Garcia Marquez). Durante a minha juventude recusava-me a ler outro escritor que não ele. Gosto da escrita do Philiph Roth pela sua simplicidade e crueldade. Adoro a forma como Haruki Murakami olha para a vida desenhando magnifica metáforas num imaginário muito oriental, mas com um toque nova-iorquino. Mas a escrita e os escritores é uma descoberta constante e estou sempre tentado a ser influenciado. Há nomes portugueses que me dizem muito, não vou falar em nenhum em particular porque acho que não devo. mas todos os dias despontam prosas magnificas escritas na língua de Camões, felizmente ainda sem o novo acordo ortográfico.

Projectos Futuros: Não sei a que distância está o futuro. Dentro de dias sairá um novo romance. “Aqui há pena de Morte – diário de um sem-abrigo”, penso que é um futuro demasiado presente. Estou a ultimar e a limar um outro romance que em principio sairá daqui a um ano. Em Agosto começarei a pensar no que irei começar a escrever. Pelo caminho penso que terei de «agarrar» todas as oportunidades que apareceram. Que cá, quer lá «fora» e dar força à minha escrita. Os meus amigos ensinaram-me a acreditar nela e eu começo a acreditar.

O Ladrão de Livros” é um convite a uma meditação interior, a uma viagem pela nossa solidão, com um destino bem definido – a nossa redescoberta. É ténue a fronteira entre o sonho e a realidade. Realidade que nos conduz a uma paz e nos ensina a sorrir para a vida, independentemente das circunstâncias, dos nossos recalcamentos, dos nossos fantasmas…

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Unknown
Unknown
11 anos atrás

Obrigado …
Beijo

Morrighan
Morrighan
11 anos atrás

Não há nada para agradecer, Carlos =)

  • Sobre

    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

    O nome tem origens no fantástico e na mitologia celta. Bran, o abençoado, e Morrighan, a deusa da guerra, têm sido os símbolos desta aventura com mais de uma década, ambos representados por um corvo.

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