Opinião: “A Espada de Avalon” de Marion Zimmer Bradley / Diana L. Paxson

A Espada de Avalon
Marion Zimmer Bradley / Diana L. Paxson

Editora: Difel
Páginas: 448

Sinopse: Na Idade do Bronze, muito antes dos acontecimentos ocorridos em As Brumas de Avalon, o jovem Mykantor, destinado a ser rei, é raptado e vendido como escravo. Comprado por um príncipe ferreiro, aprenderá com ele os fundamentos da liderança, mas a sua ausência precipitará Avalon nas mais cruas lutas de poder.
Sem a oposição do legítimo herdeiro ao trono, o malévolo feiticeiro Galid está determinado a governar, mas Anderle, a Senhora de Avalon, vai desafiando os seus intentos. A ausência de Mykantor abrirá ainda outras feridas, sobretudo no coração de Tirilan, filha de Anderle, que, julgando-o perdido para sempre, aceitará o poder – e o celibato – do sacerdócio.
Criado em segredo, após o assassínio dos seus pais às mãos de pérfidos traidores, Mykantor regressará a Avalon para provar o seu valor enquanto filho de reis e sacerdotisas, e será chamado a liderar os opositores a Galid brandindo a famosa Excalibur, acabada de forjar para legitimar o seu poder.
A Espada de Avalon é a obra que faltava no universo mítico de Marion Zimmer Bradley, explorando as origens desta lendária e mítica saga que continua a encantar milhões de leitores em todo o mundo.

Opinião: Ler Marion Zimmer Bradley sempre foi uma experiência bastante mágica para mim. Mesmo havendo livros que não foram exactamente escritos por ela, a sua magia nunca desaparece, havendo sempre um traço da sua presença, da sua marca, ao longo dos livros. A Espada de Avalon não é excepção. Embora tenha sido escrito por Diana L. Paxson, são bem visíveis as característas e os traços de Marion Zimmer Bradley.

Reentrar no mundo fantástico que é Avalon, foi como regressar a casa após um longo período de ausência.
Esta obra, mostrou-se ser fundamental para entendermos todo o universo que é a Saga de Avalon. É aqui que conhecemos as origens de vários rituais e da famosa espada que muitos chamam de Excalibur. Quem já leu as Brumas de Avalon há-de lembrar-se desta passagem: o que acontecerá ao rei veado quando o seu jovem filho crescer? Pois bem, neste livro temos a origem desse rito como de tantos outros, inclusivé das tatuagens de dragão nos braços do futuro rei.

É impossível não nos apaixonarmos por este mundo. As personagens de carácter forte, as privações e provações a que são postos, as lutas interiores constantes, são sempre elementos presentes nos livros de MZB. Como também nos tem acostumado, há sempre uma personagem feminina e uma masculina que se destacam. Neste livro temos Tirilan e Mikantor.
Confesso que houve partes do livro em que fiquei super ansiosa. Depois de uma infância em que a vida destas duas personagens se cruzaram, Mikantor é então raptado e durante boa parte do livro acompanhamos a sua evolução e todos os acontecimentos que o levam a cumprir o seu “destino”. As teias tecidas pelos deuses nem sempre são claras e muito menos são as profecias das sacerdotisas. Enquanto vamos acompanhando Mikantor, ou Pica-Pau, ficamos sem saber nada sobre o desenvolvimento de Tirilan durante esse tempo todo.
Mas quando finalmente as narrativas se começam a cruzar, tudo começa a convergir para atingirmos o extâse da leitura.
A par de Mikantor e Tirilan tenho que destacar Anderle e Valento. Principalmente Valento marcou-me muito. São personagens que após a leitura ficam a pairar na nossa mente pela sua valentia, coragem e sacrifícios. O amor que estas 4 personagens partilham é um amor intemporal, mais antigo do que se podem lembrar e cujos destinos estão entrelaçados de forma inevitável.

É um livro de emoções fortes, como muitos se têm vindo a mostrar. E claro que é sempre maravilhoso relembrar como aqueles povos louvavam a Terra como um espírito vivo e adoravam-na e respeitavam-na no seu todo. Hoje em dia isso é um grande mito e quem tenta fazer o contrário é quase visto com maus olhos.
Estes livros levam-nos a uma profunda reflexão. Por mais romanciados que sejam, a verdade é que ainda existe vestígios daquela cultura nos nossos dias e tendemos a ignorar isso. Mas isso são reflexões para outro post.

Voltando à leitura d’ A Espada de Avalon, só posso dizer que adorei. Foi um voltar ao início e a partir daí lembrar tudo o que aconteceu a seguir. Porque é impossível não associarmos os acontecimentos posteriores àqueles que estamos a ler no momento. Toda a causa tem uma efeito e é isso que nos fica bem preso na mente.
Um romance intemporal, que de certeza que a seu tempo vou repetir a leitura.

Deixo apenas uma pequena nota quanto à formatação interior do livro. Por vezes há algumas falhas a nível de ìtálicos e alguns espaços entre parágrafos no meio de diálogos. De resto, foi mais um livro maravilho que acho que não pode faltar nas prateleiras de quem gosta de Marion Zimmer Bradley. Adorei.

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Vc
Vc
10 anos atrás

Já participei em vários passatempos para ganhar este livro, mas não consegui vencer nenhum 🙁 Talvez ainda o compre quando for a uma livraria, mas de momento a carteira está "com buracos" :S

  • Sobre

    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

    O nome tem origens no fantástico e na mitologia celta. Bran, o abençoado, e Morrighan, a deusa da guerra, têm sido os símbolos desta aventura com mais de uma década, ambos representados por um corvo.

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