Opinião: “A Solidão dos Inconstantes” de Raquel Serejo Martins

A Solidão dos Inconstantes

Raquel Serejo Martins

Editora: Editorial Estampa

Nº de Páginas: 192

Sinopse: O relógio, o chefe, os sapatos, as gravatas, o aspirador, o fogão, o mecânico de automóveis, o trânsito, a TV, o sofá, o café, o tabaco, as chuvas, as luas, as chaves, as portas, a rede, a sede, o jardim, o gato, o aquário onde demasiados morrem afogados para lá da linha do equador. Então, no limite da lucidez, ou talvez da inconsciência, as palavras transformam-se em interrogações, o que foi feito de nós. Onde está a pessoa que eu sonhei, que eu queria ser, ou simplesmente o eu que conhecia! Chamam inconstantes aos que fazem demasiadas perguntas, e é solitária a procura das respostas.

Opinião: O ser humano é um ser estranho. Penso que a dada altura das nossas vidas, este pensamento surge em todos nós. Sentimos de tudo e mais um pouco. Desde amor a ódio, luxúria a inveja, amizade a repugnância, lealdade a traição, enfim, um leque tão vasto de tudo o que é positivo e negativo que muitas vezes nem damos conta até cometermos este ou aquele acto que nos faz tomar consciência disso. Em A Solidão dos Inconstantes, encontramos retratos bastante fiéis dos mais variados tipos de seres humanos.

Rita, a narradora na grande maioria do livro, está rodeada de pessoas completamente diferentes umas das outras. E são essas diferenças que ela vai narrando ao longo do livro, incluindo a sua própria pessoa, os seus actos e sentimentos.

Esta autora, surpreendeu-me bastante de forma positiva. A narração é simples, fluída, sem rodeios e a teia de relações entre as personagens deixam-nos curiosos com o que poderá vir a seguir. É um livro que desmascara as acções das pessoas, revelando os sentimentos por trás de cada acto. É com mestria que a autora consegue com que reconheçamos esta ou aquela personagem nesta ou naquela pessoa que já habitou nas nossas vidas.

E o título do livro, acaba por espelhar de forma perfeita o seu conteúdo. Cada ser humano é inconstante nos seus sentimentos e actos, mas até que ponto não é também solitário neles? Uma leitura leve, mas profunda, que nos leva a reflectir. Gostei bastante e recomendo.

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    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

    O nome tem origens no fantástico e na mitologia celta. Bran, o abençoado, e Morrighan, a deusa da guerra, têm sido os símbolos desta aventura com mais de uma década, ambos representados por um corvo.

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