Entrevista com Teresa Lopes Vieira, Escritora Portuguesa

Boa noite! Hoje tenho mais uma entrevista para vós. Desta vez apresento-vos a Teresa Lopes Vieira, cujo primeiro livro “Os Diários da Mulher Peter Pan” foi lançado há não muito tempo pela Bertrand. Aqui fica a sua entrevista:

Fala-nos um pouco sobre ti:

Sou Lisboeta, formada em Direito, mas nunca exerci. Em vez disso tenho-me dedicado à escrita, e às viagens: as minhas duas grandes verdadeiras paixões. Servi à mesa em Lyon, França, e viajei pela América do Sul. Depois disso vivi em Amesterdão, onde comecei a escrever o meu primeiro livro; para me sustentar trabalhei na recepção de um hotel, e depois num bar. São essas vivências e experiências que me inspiram, e faço da vida uma aprendizagem constante.

Nos meus livros quero proporcionar aos leitores a descoberta de mundos novos, e partilhar com eles algumas realidades distantes às quais nem sempre se tem acesso.

Estilo e Ritmo de Escrita:

Procuro concretizar algo que posteriormente me dê prazer como leitora, qualquer coisa que me divirta e estimule. Porque sou perfeccionista, passo horas infinitas a escrever, e nesse sentido é bom que não me aborreça. Assim sendo, pretendo fazer algo interessante e diferente, penso que é esse um dos meus lemas. Se tenho a oportunidade de comunicar, já agora que o faça de uma maneira inovadora. Para isso procuro armas como ideias frescas, por vezes ironia, e imagens vivas que as palavras colocam ao meu dispor.

Quais as tuas maiores influências:

Como me interesso por várias coisas, e acabo por querer ler tudo, atrevo-me a dizer que o meu trabalho não sofre uma influência directa de nenhum autor em particular.

Fui educada numa escola francesa, comecei por me interessar por clássicos como Zola, Boris Vian, e Simone de Beauvoir; e suponho que eles tenham despertado o meu gosto pela literatura. Na poesia, Baudelaire, o ideal para um adolescente deprimido e deprimente, foi a minha escolha. Mais tarde, fiquei fascinada por grandes nomes nacionais como Eça; e, numa fase posterior, Saramago e Lobo Antunes. Hoje em dia, existem novos autores portugueses que aprecio bastante e cujo trabalho tenho vindo a acompanhar.

No entanto, é-me muito difícil dizer, pelo menos por enquanto, em que medida algum destes me poderá ter influenciado. Como gosto muito de ler, raramente consigo dedicar-me a algum autor em exclusivo, pois logo a seguir vem outro interessante, e outro. Nesse aspecto sou bastante dispersa.

“Os Diários da Mulher Peter-Pan” é o teu primeiro livro. Qual foi a sensação de vê-lo publicado?

É, obviamente, uma grande felicidade. Sobretudo para alguém, como eu, que quer fazer disto uma carreira. Foi um ano e meio de trabalho, e muitas lutas. Deixar uma futura carreira como advogada para se tentar ser escritor não é tarefa fácil, pois existe muita pressão em sentido contrário, e assim sendo este livro é uma pequena vitória.

No entanto, sinto que é apenas o primeiro passo, de um longo caminho a percorrer. Nunca me dou por satisfeita, e mal este livro saiu comecei logo a pensar no próximo. Nesse sentido, vejo Os diários da mulher Peter Pan como uma porta que se abre para todas as coisas maravilhosas que posso fazer com a escrita.

Como foi o processo editorial?

Quando decidi dedicar-me à escrita, fi-lo baseada na experiencia que mais me tinha marcado nos últimos tempos: uma viagem de vários meses pela América do Sul durante a qual estive, entre outros, nos países onde se passa este meu primeiro romance (Equador, Colômbia e Venezuela).

Quando comecei a enviar o livro para as editoras tive um certo receio, porque todos me diziam que ia ser um processo difícil. Felizmente, não muito tempo depois, encontrei a Bertrand, que tem sido uma ajuda preciosa no meu inicio de carreira como jovem autora. Este livro aconteceu graças a uma equipa dedicada, que me tem ajudado a desenvolver o meu trabalho de uma forma muito positiva, e a crescer como escritora.

Tens tido feedback dos leitores?

Os leitores interessam-se pela história, dizem que tem um bom ritmo, capaz de os prender.

Tenho também recebido opiniões muito positivas quanto aos cenários descritos. São mundos muito diferentes, como a Colômbia, que a generalidade dos leitores desconhece. E nesse sentido é gratificante perceber que consegui transmitir a imagem pretendida em relação àqueles países, e fazer com que o leitor se enamore deles tanto como eu.

Pretendes continuar a escrever dentro do género “Romance” ou vais-te aventurar por outros géneros?

Escrever este romance foi uma experiência extremamente gratificante. Permitiu-me aprender e evoluir como escritora, desafiou os meus limites, e abriu-me as portas para a criatividade. Através dela descobri a possibilidade de contactar com os leitores a um nível muito interessante, por conseguir passar mensagens que de outro modo não teriam tanta força. Além disso, é muito divertido. Penso que cada romance é um mundo independente; uma pequena república pessoal do escritor, em que os personagens têm voz, e participam activamente no desenrolar da acção. Nada se compara a isto, e pretendo sem dúvida escrever muitos mais dentro do género.

Além do romance, tenho igual interesse nas crónicas, sobre a actualidade e outros assuntos. É uma área na qual também gostaria de me debruçar, e que tenho vindo a desenvolver no meu blogue www.teresalopesvieira.blogspot.com.

Posto isto, nada impede que no futuro, e paralelamente a estas duas actividades, não seja tentada a aventurar-me por outros caminhos.

Projectos Futuros:

Tenho um próximo romance, em fase de construção. É um trabalho no qual estou muito empenhada, e para já posso dizer que vai permitir aos leitores viajar, por lugares totalmente diferentes daqueles do meu primeiro romance, mas não menos interessantes.

Que achas do blog?

Em primeiro lugar, parabéns pela iniciativa. Sem fugires ao teu próprio estilo, o que lhe confere originalidade, consegues manter um trabalho eclético e abrangente.

É com muito bons olhos que vejo um espaço cultural como este, dedicado à leitura, e à sua divulgação. Sobretudo gosto do facto de incluíres no teu alvo um público jovem, proporcionando assim a este último uma perspectiva fresca em relação ao panorama literário nacional.

Os Diários da Mulher Peter Pan

Teresa Lopes Vieira

Editora: Bertrand

Nº de Páginas: 216

Sinopse: Diana leva uma vida monótona com a família no centro de Lisboa. Em plena crise da meia-idade, ela é constantemente assolada por dúvidas em relação ao rumo da própria existência, que se agravam quando se vê obrigada a viajar para o Equador em negócios. Desadaptada e infeliz, assombrada por tendências depressivas, faz planos para regressar o mais depressa possível a casa.

Um grave acidente, ao qual sobrevive milagrosamente, salva por uma tribo em plena Amazónia, produz uma revolução na sua maneira de ser, levando-a a ficar. Wendy, uma estranha e misteriosa jovem que se torna na sua companheira de viagem, arrasta-a então por aventuras inesperadas. Equador, Colômbia, e Venezuela: três cenários tão maravilhosos quanto agressivos que a transportam para uma outra vida em que tudo pode acontecer, desde as teias do narcotráfico colombiano, aos meandros da política venezuelana. Esta é a história de uma mulher que nasce pela segunda vez, redescobrindo ingenuamente o mundo que encontrou à sua espera, decifrando-o com olhos de criança.

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2 Comentários
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cris
cris
11 anos atrás

Este vou ter mesmo que ler! Parece-me que é o tipo de leitura que vou gostar pois vou de novo "viajar"…
Já o tinha visto nas livrarias mas o titulo não me chamou a atenção. Agora fiquei mesmo curiosa!
(http://otempoentreosmeuslivros,blogspot.com)
Boas leituras

Vc
Vc
11 anos atrás

Muito obrigado pelo conteúdo disponibilizado! O livro deve ser mágico 🙂 Bjs

  • Sobre

    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

    O nome tem origens no fantástico e na mitologia celta. Bran, o abençoado, e Morrighan, a deusa da guerra, têm sido os símbolos desta aventura com mais de uma década, ambos representados por um corvo.

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