Opinião: “Memórias de um Vampiro” de Rafael Loureiro

Memórias de um Vampiro (Tomo 1 Trilogia Nocturnos)

Rafael Loureiro

Editora: Presença

Colecção: Via Láctea (#77)

Sinopse: Memórias de Um Vampiro é o primeiro volume de uma trilogia onde romance e aventura se combinam para nos abrirem as portas a um universo repleto de emoções intensas, valores supremos e conflitos arrebatados. Daimon DelMoona, nascido no século XVII, viu o seu mundo desmoronar-se quando a mulher que ia desposar morre. Do seu sofrimento é resgatado por uma vampira, que lhe concede o Novo Nascimento. E assim começa uma odisseia que atravessa os séculos para culminar numa batalha contra o tirano Alexander, um vampiro sedento de poder. Para travá-la, novas alianças terão de ser forjadas, e um amor com ressonâncias do passado terá de ultrapassar duros obstáculos. Mas conseguirá Daimon vencer esta cruzada e concretizar o seu amor sem fim?

Opinião: Memórias de Um Vampiro é o primeiro volume de uma trilogia protagonizada por Daimon DelMoona no mundo Nocturnos e é também o primeiro romance vampírico que leio de um autor português. Fiquei surpreendida pela positiva.

Começamos por conhecer a origem dos vampiros que, ao contrário do que seria de esperar, não foram criados por um demónio, mas sim por um anjo, Tiriel, que tinha ciúmes da humanidade e por isso foi enviado para a terra condenado à sua imortalidade até que aprendesse a amar. Umas das consequências foi que Tiriel deixou de poder olhar para a luz do Sol, passando a dormir durante o dia, estando acordado só à noite. E foi através de uma troca de sangue com um humano que a raça vampírica nasceu.

Em Nocturnos existem cinco descendências (linhagens de vampiros) diferentes, cada um com as suas características, havendo sempre um Filho Regente por cada descendência.

Após a apresentação do mundo Nocturnos, entramos então nas memórias de Daimon DelMoona, a nossa personagem principal. Daimon tornou-se vampiro após um grande desgosto na sua vida humana, e a sua criadora sempre lhe disse que ele devia estar destinado a algo superior, até que o próprio tempo lhe mostrará isso mesmo. Nocturnos está cada vez mais instável, obscuro e sufocante para todos os vampiros e uma certa rebelião começa a ser formada. Qual será o futuro de Nocturnos?

Foi bastante do meu agrado a forma como a obra está organizada, em capítulo curtos e com muita acção. Tem personagens que prendem a nossa atenção e o facto de ter muito pouco tempo “morto” ajuda a que o leitor continue a querer ler cada vez mais. É um livro pequeno, cerca de 200 páginas, que se lê muito bem. A escrita do autor é simples, corrida e consegue transmitir bastante bem os sentimentos das personagens. Apesar de ser mais um livro de vampiros, Memórias de um Vampiro revela ser bastante diferente do comum, tendo um ambiente mais gótico e sombrio que me deliciou bastante.

Rafael Loureiro estreou-se assim com o pé direito e agora só me resta desfrutar do resto da trilogia que já saiu. Gostei.

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Vitor Frazão
Vitor Frazão
9 anos atrás

Tinha prometido que daria a minha opinião sobre esta obra quando publicasses a tua, por isso aqui fica (sorry, acabou por ficar maior do que estava à espera).

Para já, estou consciente que todo o que diga sobre um livro de dark fantasy é muito subjectivo (ainda mais do que o habitual) pois é condicionado pela minha afinidade ao género. Não obstante, procurarei ser objectivo.

O mundo de “Nocturnus” parece-me uma mistura dos universos de “Highlander” e RPG “Vampire”. Não estou com isto a acusar o autor de nada, nem a queres adivinhar as suas influências (aliás, nessa matéria prefiro perguntar directamente a quem é de direito), porém, suspeito que outros leitores familiarizados com os conteúdos que mencionei verão os mesmos traços. De qualquer modo, atenção, isto não é um ponto negativo, muito pelo contrário, foi esse gostinho a familiar, embora com elementos suficiente para os diferenciar dos anteriores, que me despertou o interesse para a história. O modo como o autor narra o passado de Daimon faz lembrar os flashback que Duncan MacLeod sofria na série “Highlander” e as Descendências encontram paralelismos com os Clan e Bloodlines de Vampire, embora não sejam tal e qual (já o disse antes, têm elementos mais que suficientes para se diferenciar um conteúdo do outro).

No que diz respeito à escrita não tenho nada a apontar, é acessível e embora pessoalmente preferia narrativas mais desenvolvidos, também compreendo que um ritmo acelerado funcione bem com certas histórias, prendendo o leitor e incentivando-o a devorar o livro. O mesmo digo da presença de uma dicotomia vincada entre Bem e Mal, sendo obvio desde o início quem alinha com que secção. Eu gosto que as obras que leio tenham mais cinzento, com personagens em conflito entre os dois lados e vira-casacas à mistura. O que não significa que não aprecie esse conteúdo em determinadas obras…
Tais condicionantes não são para mim dealbreakers, pois considero-as opções perfeitamente viáveis, que agradam a um vasto leque de leitores. Os únicos elementos que me desagradaram na obra foram: a origem dos vampiros e o facto destes receberem poderes logo que se transformam.

Não entrarei na questão de, por vezes, saber a origem deste ou daquele elementos apenas prejudicar a narrativa, o autor tomou um decisão que achou crucial para o leitor entender o fio condutor da história e respeito isso, porém, não me peçam para “engolir” anjos. É algo pessoal, não os suporto, particularmente tendo em conta o modo como a maioria dos livros actuais os descreve.

Quando ao facto de inúteis e choramingas se tornarem super-heróis simplesmente por serem transformados em vampiros, sem haver qualquer learning curve, também não me caiu bem, contudo, compreendo que tal opinião provenha das minhas ideias preconcebidas do que deve ser um vampiro.

  • Sobre

    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

    O nome tem origens no fantástico e na mitologia celta. Bran, o abençoado, e Morrighan, a deusa da guerra, têm sido os símbolos desta aventura com mais de uma década, ambos representados por um corvo.

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