Opinião: ‘A Passagem’ (Volume I) de Justin Cronin

A Passagem (Volume I)

Justin Cronin

Editora: Editorial Presença

Colecção: Via Láctea (#99)

Sinopse: A Passagem é o primeiro livro de uma grandiosa epopeia pós-apocalíptica. Uma experiência científica a que o exército dos Estados Unidos submete vários homens e uma menina, para os tornar invencíveis, resulta numa catástrofe cujos efeitos têm consequências inimagináveis. Os homens submetidos àquela experiência tornam-se detentores de extraordinários poderes, mas são monstros assassinos sedentos de sangue. Neste primeiro volume do livro acompanhamos a sangrenta destruição que se segue à invasão dos mutantes, bem como a penosa reorganização dos sobreviventes em pequenas comunidades precárias, onde a gestão dos escassos recursos é uma prioridade. Neste cenário de devastação instala-se uma dinâmica que vai modificando as personagens e as relações que se estabelecem entre elas.

Opinião: Não consigo começar esta opinião sem dizer que este é provavelmente um dos melhores livros que já li dentro do género fantástico/ficção científica. Com umas primeiras páginas que nos deixam desde logo presos à sua leitura, esta obra revela-se como algo diferente, maduro, vertiginoso e completamente viciante.

Tudo começa com uma exploração que acaba de forma dramática. A maioria dos exploradores morre e os que não morrem mostram ter sintomas muito estranhos convergindo numa virose que transmite algumas forças sobre-humanas, ao mesmo tempo que lhes dá uma sentença de morte. Com estes dados, os militares decidem fazer uma experiência científica. As primeiras cobaias começam por morrer prematuramente, mas à medida que o vírus vai sendo aperfeiçoado, torna-se claro que as melhores hipóteses que podem ter com aquele vírus é testá-lo numa criança. E é assim que conhecemos a Rapariga de Nenhures.

Este vírus, que teria como objectivo tornar os militares apenas mais fortes sem efeito secundários, rapidamente dá sinais de provocar uma mente colectiva em que sonhos e visões são incutidos pelos seres infectados aos que ainda não estão. E quando a consciência começa a fugir aos soldados americanos e as suas vontades começam a ser dobradas pelos infectados, o resultado não pode ser bom. Resta Amy, a Rapariga de Nenhures, que apesar de infectada, não mostra o comportamento violento de todos os outros, mas sim uma capacidade física e intelectual muito acima da média.

É uma história muito boa, com um ritmo equilibrado e que me agradou muito. Conhecemos muitas personagens e as suas histórias e é fácil ligarmo-nos a elas. Gostei muito da escrita do autor, da forma como desenvolveu as personagens e a importância que lhes deu. O mundo pós-apocalíptico que nos dá a conhecer está bem construído e o fim deste primeiro volume deixa-nos ansiosos para sabermos mais sobre o que vai acontecer.

Apesar de ser um volume introdutório (ou pelo menos foi com essa impressão que fiquei), muito nos é contado e quando acabamos de o ler, parece que já se passaram séculos desde que o começámos. Um livro maravilhoso, fascinante e que sem dúvida nos conquista. Gostei muito.

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AndreiaC
AndreiaC
8 anos atrás

fiquei com vontade de ler 🙂

Aya
Aya
7 anos atrás

Esta triologia é magnífica! (Adjectivo que não uso muitas vezes) Descobri-a o ano passado (graças ao teu blog, mil agradecimentos! :D) e adorei! Entretanto já saiu o segundo volume e aconselho vivamente, prende-nos do início ao fim (;
O tema não é novo, mas a forma de escrita, o entrecruzar de histórias e os recursos que o autor utiliza para nos revelar o enredo faz com que seja uma das melhores triologias que já li do género. (Espero que o último mantenha esta qualidade!)

Gostava de saber o que achas do segundo livro (: quando arranjares tempo acho que vale a pena ser investigado…

Pessoalmente adoro ficção científica, e agora estou a ler o livro "The Stand" do Stephen King que tem uma história semelhante a esta…

Continuação de bom trabalho! Este blog está fantástico como sempre (;

Morrighan
Morrighan
7 anos atrás

Olá Aya 🙂

Fico tão contente quando recebo mensagens como a tua! Mesmo!

Eu tenho aqui o segundo volume, apenas ainda não o li. Mas se dizes que é assim tão bom, tenho de o ler. Eu adorei este, como deve dar para perceber pela opinião 🙂 Eheheh

Ultimamente tenho variado mais as leituras para não me parecerem sempre tudo o mesmo, mas tenho imensas saudades de bons livros de fantástico.

Muito obrigada pela tua visita e por favor comenta sempre que queiras!

Um grande beijinho

  • Sobre

    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

    O nome tem origens no fantástico e na mitologia celta. Bran, o abençoado, e Morrighan, a deusa da guerra, têm sido os símbolos desta aventura com mais de uma década, ambos representados por um corvo.

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