Entrevista a Hugo Barão (azul-revolto), Músico Português

Foi a 2 de Dezembro deste 2014, que agora termina, que vi, orgulhosamente, azul-revolto a lançar o seu primeiro EP – Ouija. Descobri este projecto do Hugo Barão há uns quantos meses, ainda ele tinha apenas duas covers. De alguma forma, essas covers transpareceram já uma certa personalidade própria e fiquei curiosa em relação ao material original que poderia vir a surgir. E surgiu. De qualidade inegável que rapidamente chamou a atenção de rádios de divulgação de música portuguesa como a Antena 3, RUC e RUM.

Dada a época natalícia e o facto de andar sem tempo, a entrevista acabou por ser mais impessoal, mas dado o timing – a primeira Playlist da Quinzena de 2015 vai ser sua – achei que ainda assim dava para saber um pouco mais sobre o seu ainda curto percurso. Ouçam-no que vale a pena!

Ainda te lembras de como é que se deu o teu primeiro contacto com a música electrónica?

Apesar de já fazer música com amigos há uns bons anos, comecei a produzir música electrónica há cerca de um ano pelo desejo de criar e pelo prazer que me dá.

Estás a tirar medicina e conciliar seja o que for com essa profissão parece sempre uma missão impossível. Como é que tens conseguido gerir tudo?

É possível conciliar Medicina com Música e espero que assim continue. Tem sido uma ‘relação’ bastante saudável, não tenho qualquer tipo de pressão ou pressa e vou criando ao meu ritmo. E claro, é bom ter amigos que nos ajudam e que alinham nestas coisas: este EP foi produzido em conjunto com o Manuel Guimarães, a maioria das letras foram escritas pelo Ricardo Jesus, o José Silva masterizou e o David Bastos esteve a cargo do artwork.

Antes deste teu primeiro EP, Ouija, tiveste dois covers que foram muito bem recebidos por quem os ouviu. Foi esse reforço positivo que determinou a via dos originais ou esta sempre foi um objectivo?

Inicialmente, o objectivo seria fazer uma banda tributo a Jeff Buckley. O álbum ‘Grace’ andava em loop lá em casa e no carro e fiquei com vontade de criar as minhas próprias versões, com a minha voz. Foi nessa altura que tive o primeiro contacto com a produção electrónica. Tem sido um processo de aprendizagem contínuo, e gradualmente fui passando aos originais. O reforço positivo não foi determinante, foi um bónus.

Ouija tem um lado bastante conceptual, queres dar a tua visão sobre o mesmo? Este é um disco para pensar, sentir ou apenas deixar fluir? O que é que esperas que as pessoas sintam ao ouvi-lo?

Tudo isso! O álbum tem uma identidade própria mas não deixa de ser heterogéneo e com um feeling diferente em cada música. As letras não têm uma mensagem directa e permitem uma interpretação individual, introspectiva e livre. Deixem-se levar. (:

Passadas algumas semanas, e tendo já algum distanciamento sobre o que fizeste, que tal tem sido saber que já tocas na Antena 3 e em duas das principais rádios universitárias RUC e RUM?

Sabe bem, sobretudo por saber que há pessoas atentas ao que é publicado e com interesse em divulgá-lo. Foi uma surpresa bastante positiva. De salientar o contacto com o Rui Estêvão, acho que gostou mesmo do EP.

Achas que o tipo de música que produzes tem espaço para crescer em Portugal? Penso que não será arriscado dizer que a música electrónica, apesar de crescente, parece ainda ser de nichos ou até de uma certa elite…

Não creio que seja ‘de uma certa elite’ até porque a maioria são bedroom producers, basta apenas um computador para começares a criar. É incontável o número de projectos que têm surgido ultimamente e acho que a música electrónica portuguesa está em boas mãos.

A nível de promoção e de evolução, tanto no teu caso como naqueles que testemunhas, achas que é fácil chegar a massas ou também consideras, como outros já aqui entrevistados, que é preciso uma estrelinha da sorte (como um amigo bem colocado na indústria)?

Acho que depende bastante dos objectivos a que cada um se propõe e às massas que quer atingir. Pessoalmente, prefiro procurar música nova ou seguir certas editoras, blogs ou pessoas com que me identifico musicalmente ao invés de consumir um produto que me é ‘imposto’. Não sei se responde à tua pergunta, mas penso que é isso 🙂

Muito se tem aqui falado da ZigurArtists e a verdade é que optaste por editar lá o teu disco. Como é que se deu a tua entrada nessa que é tida como uma grande família?

Para já, o conceito da Zigur: é uma netlabel que tem como objectivo divulgar novas obras, sem fins lucrativos. Depois, porque sou fã de Twisted Freak e Mr. Herbert Quain. O Manel já lá tinha lançado pelo menos 2 álbuns (Morsa e Cuore and Colours) e o restante pessoal da Zigur gostou do projecto, nem pensei noutra editora. Tiveram um papel importante no aprimoramento do EP.

Dia 16 vais apresentar Ouija no Musicbox Lisboa. Estás muito ansioso? O que é que as pessoas que lá forem podem esperar do concerto?

Há alguns anos que não dou concertos e portanto vai ser algo ‘novo’ para mim. Vou estar acompanhado em palco pelo Manel e pelo David Bastos, que vai passar vídeo. Podem esperar um bom ambiente, com pessoas bonitas e boa música: Twisted Freak e The Allstar Project, tem tudo para ser uma grande noite 🙂

E depois, o que se segue? Achas que é fácil encontrar locais que se mostrem disponíveis para se tocar em Portugal?

Vamos para onde a corrente nos levar. Quero aprender mais, criar mais, essa é a prioridade.

Em relação à tua Playlist para esta quinzena no blogue, as tuas escolhas são bastante particulares e até um pouco distantes do que podemos considerar as tuas influências. Será sinónimo de que todo o tipo de música de alguma maneira contribuiu para azul-revolto?

Sem dúvida, tudo o ouço e experiencio me influencia seja no estado de espírito ou na produção musical. É simplesmente uma compilação de músicas que gosto muito, sem restrição a género musical ou época.

Aqui a chata despede-se agora, perguntando apenas se queres deixar uma mensagem aqui para o blogue!

O Corvo está a crescer. Continua o bom trabalho que tens feito, divulgando o que de bom se faz em Portugal.

Muito obrigado pela convite, Sofia!

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    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

    O nome tem origens no fantástico e na mitologia celta. Bran, o abençoado, e Morrighan, a deusa da guerra, têm sido os símbolos desta aventura com mais de uma década, ambos representados por um corvo.

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