Opinião: Vermelho Como o Sangue, de Salla Simukka

Vermelho como o Sangue

Salla Simukka

Editora: Editorial Presença

Sinopse: Lumikki Andersson tem 17 anos e vive sozinha num pequeno apartamento, na cidade onde frequenta uma prestigiada escola de Artes. Lumikki é solitária, independente, e gosta da liberdade. Na escola prefere dedicar-se aos estudos e ignorar os grupinhos que se vão formando. Não se meter naquilo que não lhe diz respeito é, para ela, uma regra fundamental. Mas essa regra vai ser posta à prova no dia em que encontra uma incrível quantidade de notas de quinhentos euros penduradas a secar no laboratório fotográfico da escola e que tudo indica terem estado manchadas de sangue. Em poucas horas, Lumikki, juntamente com três dos seus colegas, vê-se enredada numa sombria conspiração.

Opinião: Salla Simukka, autora premiada por obras infantis e juvenis, chega a Portugal através de Vermelho como o Sangue, um policial/thriller bem ao estilo nórdico, mas numa dose mais leve, quase introdutória. Estamos perante um romance claramente virado para um público jovem-adulto, mas com um enredo suficientemente apelativo para prender a atenção de qualquer adulto. Arrisco-me a dizer que para quem nunca leu literatura nórdica, este pode ser um bom livro para começar. 

Lumikki é a protagonista, jovem de 17 anos, que vive uma rotina de cautela, sempre a tentar passar despercebida, mas sem que provoque aquele sentimento de a acharem estranha. Procura um equilíbrio em que praticamente anula a própria identidade, a troco de agir livremente sem nunca interfira na vida dos outros nem os outros na dela. A própria escola tem um estúdio fotográfico onde se refugia quando precisa, o seu lugar seguro. Ou tinha, até ao dia em que se depara com um cenário no qual não quer acreditar, mas de envolvimento impossível de fugir. 

O que mais me agradou neste romance foi a forma como a autora começa a obra, relatando-nos um cenário aflitivo, sangrento, para depois nos introduzir a vida de quatro adolescentes que se vêem metidos numa situação para a qual não estavam preparados. Ao mesmo tempo que vamos conhecendo a máfia nórdica e toda a trama mais adulta da história, acompanhamos também a evolução da Lumikki enquanto personagem central, compreendendo o porquê das suas acções, dos seus pensamentos. Ela não foge de uma boa luta, dispõem-se a ajudar quem precisa dela naquele momento, mas nem sempre foi assim. Houve tempos em que não passava de uma criança aterrorizada pelas circunstâncias familiares. 

A acção passa-se a um bom ritmo e a leitura decorre rapidamente. A linguagem é simples, as situações conseguem ser muito intensas e as descrições evocam uma imagética muito forte, sendo possível imaginar claramente cada um dos cenários. Não é um livro complexo, não tem um enredo impossível de desvendar, mas tem os elementos-chave que tanto gostamos na literatura nórdica-noir. Aquele sangue frio, aquela violência calculista, tudo em doses que não tornam a leitura pesada, mas tornam-na interessante. Gostei.

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    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

    O nome tem origens no fantástico e na mitologia celta. Bran, o abençoado, e Morrighan, a deusa da guerra, têm sido os símbolos desta aventura com mais de uma década, ambos representados por um corvo.

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