Sugestões de Natal, por João Morales: O Futuro da Ficção, de António-Pedro Vasconcelos

O Futuro da Ficção

António-Pedro Vasconcelos

62 págs

12 euros

Fundação Francisco Manuel dos Santos

Não se julgue que uma sugestão de “livro para oferecer” tem de cingir-se às publicações dos meses mais recentes, Seria constrangedor. A prova é este livro, publicado em 2012, pouco lido e discutido e, contudo, um dos mais interessantes ensaios portugueses dos anos mais recentes sobre a criação artística e a sua relação com a sociedade em geral – na fixação e na evolução de ideias e conceitos.

Cineasta e pensador, APV alega neste ensaio como «a grande ficção é premonitória. Entre a exaltação e a denúncia, os grandes ficcionistas são os que nos dão novas armas para interpretar as nossas próprias ansiedades e s que alargam os horizontes do humano. São eles que iluminam e resgatam o que tem sido o lado negro do Ocidente: a tirania e a opressão, a escravatura e a colonização, a perversidade e o cinismo, a ganâncias e o abuso de poder».

Contudo, o autor faz, logo de seguida, acentuada denúncia à decadência, à falência, dessa criatividade nas histórias que ancestralmente criámos, receando uma conexão com uma desistência da civilização que temos vindo a alimentar.

Estabelecendo os grandes momentos de rotura na consolidação do cânone da imaginação ocidental, o livro relaciona a Arte e a Psicologia (individual e colectiva), ao mesmo tempo que situa a criação artística como um defensor da memória e garante da intervenção social e política.

Se o pano de fundo parte de uma consideração acutilante («de substantivo, quando nos confrontamos com os temas recorrentes que compõem o Cânone Ocidental, o que há de novo entre Homero e John Ford»?), o raciocínio prossegue elencando os quatro momentos de verdadeira transformação: o protagonismo do Mal; a presença do sexo; a descoberta do subconsciente e a morte de Deus.

Um ensaio apaixonante esse lê de rajada e apetece discutir em seguida, trazendo para o quotidiano os hábitos de debate algo arredados pela cegueira da velocidade, porque «tudo é feito para nos fazer ganhar tempo: desde a Via Verde e o Multibanco à velocidade sem limites das comunicações. Mas nunca como hoje tivemos tão pouco tempo para nós».

João Morales

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on whatsapp
Subscrever
Notificar-me de
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments
  • Sobre

    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

    O nome tem origens no fantástico e na mitologia celta. Bran, o abençoado, e Morrighan, a deusa da guerra, têm sido os símbolos desta aventura com mais de uma década, ambos representados por um corvo.

    Subscritores do blog

    Recebe notificação dos novos conteúdos e partilhas exclusivas. Faz parte da nossa Comunidade!

    Categorias do Blog

    Leituras da Sofia

    Apneia
    tagged: currently-reading
    A Curse of Roses
    tagged: currently-reading

    goodreads.com

    2021 Reading Challenge

    2021 Reading Challenge
    Sofia has read 0 books toward her goal of 40 books.
    hide