Entrevista com Rodrigo McSilva, Autor Português

Bom dia! É com grande prazer que publico esta entrevista. “Conheci” o Rodrigo (pela internet) há já uns bons meses e tenho acompanhando um pouco o seu percurso. É uma pessoa muito humilde e muito consciente o que faz com que nos sintamos logo à vontade e que a curiosidade sobre a sua obra, cresça exponencialmente. Mas deixemo-nos de conversa fiada e passemos ao que interessa. Conheçam o Rodrigo, autor d’Os Escritos Ancestrais a serem lançados pela presença já dia 14 de Setembro.

Sobre mim:

Sou casado com a Aldara e tenho dois filhos: a Diana com 20 anos e o Pedro com 13. Cresci e vivi em Figueiró dos Vinhos, no meio das Beiras, onde as estações do ano ainda se conseguem distinguir. Talvez por isso, sou apegado aos cheiros dos campos, aos sons dos bosques e à melodia dos regatos. Embora tenha vivido no Algarve e em Lisboa, fui sempre um estranho nesses lugares, saudoso da abundância do espaço e do silêncio das noites da aldeia onde vivo. Na minha infância, eu e o meu irmão convivemos muito com os nossos avós, acompanhando-os na lavoura e no tratamento dos animais. Adorávamos andar descalços pelos regos de água, galgar muros e subir às árvores. A televisão era quase obsoleta, pelo que todas as diversões passavam pelo contacto com a natureza. Nesses tempos, a pequena Biblioteca Municipal era a porta do mundo e, através dela, viajámos por Sherwood com o Robin dos Bosques, lutámos com o Sandokan em Sarawak e velejámos com o Corsário Azul pelos mares das Caraíbas. Hoje, com 47 anos, percebo que esses foram os tempos mais repletos da minha existência, pois os dias não tinham horas. De lá para cá, vivi o melhor que soube, feliz por ter morado onde sempre quis, junto das minhas raízes, e por partilhar a vida com as pessoas que amo. Como curiosidade, refiro o facto de minha esposa possuir uma Papelaria/Livraria e eu ser bancário de profissão.

Estilo e Ritmo de Escrita:

Por vezes, passo dias em que escrevo a um ritmo exagerado, como se o mundo estivesse para acabar. Sou capaz de escrever num fim de tarde e noite vinte ou trinta páginas, se sentir que estou em diálogo com a história e em sintonia com a alma. É uma boa sensação. Porém, também sou capaz de estar semanas sem escrever, seguindo o ânimo do momento ou a necessidade de fazer coisas simples. No meu tempo de lazer, se sentir que é tempo de passear, divagar na leitura, ver televisão ou preguiçar, não troco essa necessidade por escrita obrigatória ou por “auto-imposições”, pois recupero a escrita com alguma facilidade. Quanto ao estilo, procuro descrever minimamente os lugares e os personagens, dando contudo mais importância aos acontecimentos, aos conflitos relacionais e à evolução dos espaços. Reconheço que para ler o meu livro é necessária alguma atenção, pois muitos dos factos só se cruzam nos Capítulos seguintes. É quase um exercício para a memória, já que, este primeiro livro retrata cerca de cem anos de acontecimentos.

Quais as tua maiores influências?

Para o género que escrevo, é evidente que Tolkien deixou raízes profundas. Não no estilo, pois ele era um grande detalhista, mas sim na sua noção do bem e do mal. Gosto da sua maneira de transmitir valores, sem o uso de frases feitas ou de grandes dissertações filosóficas. Também me sinto bastante contagiado pelas fraquezas dos deuses dos livros de Homero, as quais contrastam com a força dos homens simples transformados em heróis. Gosto dessa libertação das nossas limitações humanas. Uma boa história de Mitologia, ainda que por vezes carregada de alegorias, tem sempre uma mensagem que fica no subconsciente de quem a ouve ou quem a lê. Talvez por isso, sinto que as minhas influências estão em muitos livros de aventuras e de História, na banda desenhada e no cinema, na vida e nos próprios sonhos, em suma, em todos os pedaços que me atingiram com a surpresa duma mensagem.

O que aconselha a jovens que queiram publicar as suas obras pela primeira vez? 

Primeiro que tudo, tentar perceber se é o tempo certo para isso. Por vezes, a juventude transporta natural inexperiência da vida e os valores ainda não estão totalmente definidos. Esperar o tempo certo é porventura mais importante que satisfazer a ânsia de publicar um livro. Auscultar a opinião dos outros e ter sentido crítico é igualmente essencial, pois um livro nunca sai perfeito à primeira escrita. E, acima de tudo, perceber que escrever é trabalhar muito. Um livro fácil é como uma rajada de vento num dia quente: sabe bem mas passa depressa.

Que projectos tens para o futuro?: 

Os meus filhos estão crescidos mas ainda precisam de mim. Por isso, o meu maior projecto será sempre o de os ajudar a construir a sua felicidade. E esse é um projecto de vida que me acompanhará até morrer. Além disso, albergo o sonho de um dia ter o tempo por minha conta, sem ter que o ceder às obrigações da vida. Toda a gente deveria ser dona do seu tempo, como o eram os povos primitivos. Podiam não ter os meios de que hoje dispomos, mas mandavam nos seus dias e as suas pernas não passavam o dia sentadas a uma secretária. Por isso, mais do que projectos materiais ou grandes honrarias, ambiciono ter tempo para decifrar as palavras que andam dentro do meu peito. Espero conseguir momentos em que deixe a minha alma escrever-me os livros, para que desse modo me liberte e me transmita. Gostava muito de continuar a série “Campos de Odelberon” na senda do que delineei, sonhando que, quando a terminar, tenha conseguido falar de esperança e de valores intemporais, sem usar lugares comuns.

O que pensa deste Blogue? (Questão sugerida pelo autor):

Um blogue é sempre a imagem do seu autor. Neste caso concreto, o Blogue Morrighan é, reconhecidamente, um sinónimo do dinamismo e da simpatia da sua autora. A forma como dá voz aos autores portugueses é extraordinária, revelando uma grande atenção e carinho pelo que se edita no nosso país, bem como um grande amor pela literatura. As entrevistas que publica são também muito úteis, dado que satisfazem a sã e natural curiosidade dos leitores. Em suma, espero que este Blogue dure muitos e bons anos e que a sua autora, Sofia Teixeira, tenha o reconhecimento que merece no meio literário nacional. Um grande bem haja da minha parte!

 O seu livro a ser lançado a dia 14 de Setembro de 2010

 

Escritos dos Ancestrais (Campos de Odelberon #1)

Rodrigo McSilva

Editora: Presença

Sinopse: A Presença lança um novo autor de língua portuguesa do género fantástico. É uma saga que conta com uma multiplicidade de personagens e divindades das mitologias nórdica, celta e indo-europeias. Vivem numa história alternativa, em que o mundo é simultaneamente habitado por deuses, raças desaparecidas, heróis míticos e humanos. Até ao dia em que o Ente Uno, o Juiz do Tempo, indignado pela perfídia dos deuses, decide pôr fim a esta realidade, condenando deuses e homens a uma estéril dualidade. No entanto, nos dois mundos, as lendas alimentavam uma esperança… Esta extraordinária aventura ficou registada pelos inúmeros escribas que ao longo das eras foram registando os seus sucessivos capítulos.

Para terminar, quero agradecer ao Rodrigo toda a sua amabilidade e simpatia. Desejo-lhe que tudo corra pelo melhor e que o seu livro seja um grande sucesso. Claro está, que quero e MUITO, ler o seu livro.

Contem também com um passatempo em parceria com o Rodrigo para o Escritos Ancestrais após o seu lançamento.

Tenham um bom fim-de-semana!

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kyta
kyta
10 anos atrás

Conto ser dos primeiros a adquiri-lo logo que o mesmo esteja disponível nas bancas…
Força Rodrigo! Esperamos ansiosamente pelo continuar da saga….
Um abraço do companheiro de longas jornadas.

J.V.
J.V.
10 anos atrás

Força amigo.
Fico contente por ti.
Serei um leitor assíduo.
Venham esses livros magníficos.
Um abraço.
J.V.

Rita Vilela
Rita Vilela
10 anos atrás

Ainda não tive um bocadinho para o ler. Mas a informação a que tenho acedido sobre o livro e sobre o seu autor espicaça a minha curiosidade.
Estou certa que se trata de um grande livro.
Bom trabalho, Rodrigo
Um beijinho

  • Sobre

    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

    O nome tem origens no fantástico e na mitologia celta. Bran, o abençoado, e Morrighan, a deusa da guerra, têm sido os símbolos desta aventura com mais de uma década, ambos representados por um corvo.

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